Textos: A última homenagem





Eu podia ter te prestado a última homenagem, ter te visto pela última vez, você não precisaria dizer nada, eu diria tudo por você. Meu erro foi ficar indecisa entre usar uma calça ou um short por conta do calor que fazia, resolvi ligar para sua tia e ela me disse que eu não poderia mais ir no hospital pra te visitar, disse que você andava muito sedada e que ela  teria que ir no meu lugar, mas que na semana seguinte eu poderia ir, fiquei triste confesso estava animada pra te ver, apesar de não saber como reagiria ao te ver internada naquele hospital, toda sedada e entubada. Quando recebi a notícia de seu falecimento, tsc confesso não acreditei de imediato, como podia, você estava melhorando, estava se recuperando e eu tinha fé de que você voltaria pra escola, de que voltaria pra sua vida, mas pelo jeito os planos de Deus não foram os mesmos que os  meus, Ele quis ter mais um anjo no céu. Então a minha ficha caiu e junto com ela um rio de lágrimas, me encontrava em estado de choque com tal brutal notícia, eu me peguei dizendo bem baixinho que isso não era verdade, que não podia ser, que Deus não poderia ter tirado você de mim, não, não, não era possível, porque ? Porque eu indagava. Porque a Rebeca, porque não qualquer outra pessoa ? Meu choro a cada segundo só aumentava, eu começava a soluçar com dificuldade de respirar, me senti tão sozinha no momento. Assim que minha mãe chegou em casa eu já tinha parado de chorar, pelo menos por um momento, até ela me perguntar o que tinha acontecido, porque eu estava com cara de choro. Só foi eu abrir a boca e dizer : Mãe a Rebeca morreu. Antes mesmo que eu terminasse a frases nitidamente, não aguentei e tornei a chorar, minha mãe ma abraçou forte, já não me senti mais tão sozinha, mas o abraço não amenizaria a dor te der perdido uma grande amiga. E o resto da noite seguiu-se assim, com muitas lágrimas e lembranças boas, de momentos juntas. De repente eu só quis ouvir o barulho do mar, procurei na internet sons de mar, achei e enquanto ouvia fui me acalmando. No dia seguinte foi o velório, fui pra escola sem saber o que fazer, se iria ou não, sem vontade de encarar o mundo. Todos abalados, com  caras inchadas de quem esteve chorando a noite toda, na bolsa coloquei minha bíblia e meu terço, todos iriam pro enterro tentei ir, juro que tentei, mas eu não conseguiria ver o corpo dela dentro de um caixão, mais pálido que o de costume, frio, sem vida. Com certeza entraria em desespero, despencaria em lágrimas o que não ajudaria em nada. Fui embora, mas não para minha casa, fui á praia mais próxima, a praia onde costumo passar o fim de semana na casa de um amigo, sentei bem embaixo da casa dele, numa arquibancada que tem, fiquei ali deitada por um bom tempo, ouvindo o som das ondas e dos pássaros que voam próximos, me deu um vontade  enorme de mergulhar, mas eu estava de uniforme, sem roupa alguma de banho, não me importei, tirei a blusa e apenas de sutiã me lancei ao mar de calça jeans, afirmo que naquele momento lavei minha alma, as ondas levaram consigo toda a minha tristeza, e naquele momento eu soube que ela estava bem, que estava com Deus. O mar mais uma vez me trazendo sorrisos, e levando minhas tristezas. Ela se foi, de corpo e alma mas deixou em mim, um pouco de si. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário